Forte explosão solar registrada em 12 anos!




Forte explosão solar registrada em 12 anos!

A mais forte explosão solar do ciclo 24 foi registrada nesta quarta-feira, 6 de setembro de 2017, às 12:02 UTC. A erupção solar atingiu a classe X9.33.

A explosão solar foi originada da região ativa AR2673, um grupo de manchas solares que ocupam o centro do Sol nos últimos dias. A erupção solar foi registrada pelo Observatório de Dinâmica Solar (SDO) da NASA, que observa constantemente o Sol. Dois picos, denominados flares, foram registrados pelo SDO na manhã do dia 06/07, um às 5:10 a.m. EDT e o outro às 8:02 a.m. EDT. O primeiro atingiu pico de X2.2 e o segundo pico de X9.3.

A animação mostra as explosões X2.2 e X9.3 que o Sol emitiu em 6 de setembro de 2017. A imagem foi capturada pelo Observatório de Dinâmica Solar SDO da NASA e mostra o Sol no comprimento de onda de 131 angström. Créditos: NASA / Goddard / SDO.
A animação mostra as explosões X2.2 e X9.3 que o Sol emitiu em 6 de setembro de 2017. A imagem foi capturada pelo Observatório de Dinâmica Solar SDO da NASA e mostra o Sol no comprimento de onda de 131 angström. Créditos: NASA / Goddard / SDO.

A classe “X” indica as explosões solares mais intensas, enquanto que o número fornece mais informações sobre a sua força. Uma erupção solar X2 é duas vezes mais intenso que um X1, e uma X3 é três vezes mais intenso, e assim sucessivamente. As classes são geralmente anunciadas pelas letras C, M e X.

A última vez que foi registrado uma explosão solar de classe X foi em 5 de maio de 2015. Enquanto que a atividade mais forte que essa foi registrada há 12 anos! Embora esse fenômeno ocorra em outras intensidades e seja geralmente ocasional, essa forte explosão solar foi atípica e muito intensa para a fase decrescente do ciclo solar 24.

Um explosão solar de classe X9.3 pisca no meio do Sol em 6 de setembro de 2017. Essa imagem foi capturada pelo Observatório de Dinâmica Solar da NASA e mostra uma mistura de luz dos comprimentos de onda 171 e 131 angström. Crédito: NASA / GSFC / SDO.
Um explosão solar de classe X9.3 pisca no meio do Sol em 6 de setembro de 2017. Essa imagem foi capturada pelo Observatório de Dinâmica Solar da NASA e mostra uma mistura de luz dos comprimentos de onda 171 e 131 angström. Crédito: NASA / GSFC / SDO.

É aguardado para o início da madrugada do dia 8 de setembro a chegada de uma Ejeção de Massa Coronal (EMC). As tempestades geomagnéticas poderão ser registradas na regiões polares e latitudes médias.



Ejeções de Massa Coronal (EMC) – ou Coronal Mass Ejections (CMEs):

São enormes explosões do campo magnético e plasma da Coroa Solar. Quando as EMCs chegam e afetam a magnetosfera da Terra, elas são responsáveis ​​por tempestades geomagnéticas e intensas auroras.

Ejeção de Massa Coronal associada ao flare X9.3 - 06-09-2017.
Ejeção de Massa Coronal associada ao flare X9.3 – 06-09-2017.

As EMCs são originárias das estruturas do campo magnético do Sol as quais estão altamente “torcidas”, ou como “cordas de fluxo”. São muitas vezes visualizadas e associadas por seus “filamentos” ou “prominências”. Essas estruturas são plasmas relativamente fracos presos nas “cordas de fluxo” contorcido na região da corona solar.

Entretanto, quando estas “cordas de fluxo” se irrompem das regiões ativas no Sol (regiões associadas a manchas solares e campos magnéticos muito fortes), elas são frequentemente acompanhadas de grandes explosões solares.

Explosão solar ou flare:

São poderosas “rajadas” de radiação que são emitidas pelo Sol. Os flares são originados pelo intenso fluxo de partículas gerados pelo contorcido campo magnético solar o qual se rompe em grandes erupções de radiação. Essas explosões solares viajam à velocidade da luz e são vistas logo após acontecerem, ou seja, alguns minutos depois. À medida que esses campos magnéticos evoluem, eles podem alcançar um ponto de instabilidade e liberar energia em uma variedade de formas. Estes incluem a radiação eletromagnética, que são observados como flares solares.

Efeitos e consequências:

Portanto, qualquer efeito sobre a Terra pelo lado iluminado pelo Sol expõe a atmosfera exterior. O aumento do nível de radiação ultravioleta resulta em ionização nas camadas inferiores da Ionosfera pelo lado iluminado pelo Sol. A radiação prejudicial não passa pela atmosfera da Terra e não afeta fisicamente os seres humanos na superfície. Porém, quando intenso o suficiente, as explosões solares podem perturbar a atmosfera nas camadas onde satélites de GPS e os sinais de comunicação viajam.

Mapa da ocorrência de auroras no polos e latitudes médias - horário e data da captura da imagem: 23:18 - 7 de setembro de 2017. Fonte em tempo real: https://www.spaceweatherlive.com/en
Mapa da ocorrência de auroras no polos e latitudes médias – horário e data da captura da imagem: 23:18 – 7 de setembro de 2017. Fonte em tempo real: https://www.spaceweatherlive.com/en



Manchas solares:

As manchas solares são regiões escuras no Sol. São intensas regiões de campo magnético que estão intimamente associadas à fendas em sua superfície e a ejeções de massa coronal. As manchas solares aparecem escuras na superfície do Sol porque são “mais frias” (3.700º Kelvin) em comparação com o restante da superfície solar (6.000º Kelvin). As manchas solares são mais frias porque seus campos magnéticos intensos inibem o aumento do calor gerado pelo interior do Sol.

Essas estruturas podem aparecer sozinhas, ou em estreita conexão com outras manchas solares. As manchas solares que estão claramente conectadas entre si são agrupadas com a denominação de Regiões Ativas (ou Active Region – AR) seguida de um número oficial designado pela NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration). As regiões ativas são classificadas de acordo com seu tamanho e complexidade.

Grupo de manchas solares da região ativa AR2673 dias antes do explosão solar classe X9.3.

Embora as manchas solares parecem mais escuras do que o resto do Sol a olho nu, quando as regiões ativas aparecem são examinadas nos comprimentos de onda ultravioleta ou de raios X. As manchas solares e as regiões ativas associadas aparecem consideravelmente mais brilhantes que outras áreas do Sol. A irradiação que esses outros comprimentos de onda mostram realmente se origina em níveis mais altos na atmosfera solar, mas na mesma região do Sol.

A energia das manchas solares são fracas em calor, em vez disso, são produzidas pela energia do campo magnético solar. Os campos magnéticos se elevam acima da superfície e permanecem fortes, enquanto o resto do Sol possui campos magnéticos suaves e fracos. Os campos magnéticos fortes se formam em loops que limitam o plasma solar e o aquecem para temperaturas extremas superiores a 1 milhão de graus Kelvin!

Nessas temperaturas, não podemos ver o plasma na luz visível, mas se torna perceptível e dominante no Ultravioleta e nos Raios-X. As mudanças nesses campos magnéticos são a principal fonte da maior parte do chamado Tempo Espacial. Iss é uma maneira de monitorar e estimar a “meteorologia espacial” através de flares solares (Radio Blackouts) e Ejeções Coronais Rápidas (CMEs).



Períodos e Ciclos:

As manchas solares mudam continuamente, mas manchas individuais podem persistir por algumas horas, por muitas semanas ou até meses. O número total de manchas solares é conhecido por variar em um período de 11 anos, conhecido como ciclo solar. O pico do ciclo solar é conhecido como o máximo solar e o período de baixa atividade é conhecido como mínimo solar.

Durante um mínimo solar pode haver, por muitos dias seguidos, absolutamente nenhuma mancha solar visível. Enquanto que no máximo solar, centenas de pontos podem ser visíveis a qualquer momento.

Os ciclos solares são numerados desde o ciclo solar 1, contado a partir de 1755 até o ciclo solar mais recente. Atualmente estamos no ciclo 24, o qual começou em dezembro de 2008.

Fontes e Informações Adicionais:

https://www.spaceweatherlive.com/en
https://spaceweatherlive.com/en/news/view/301/20170906-major-x933-solar-flare
https://svs.gsfc.nasa.gov/12706
http://www.swpc.noaa.gov/phenomena
https://www.cnet.com/news/nasa-solar-flares-sun-x-class-sdo-dynamics-observatory/

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